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Nível de mar agitado

Como a maré mudou de uma semana para a outra para os vascaínos.

A gente sabe das limitações da equipe não é de hoje , mas não esperávamos ter que lidar com elas em um jogo praticamente ganho, com uma larga vantagem de 4 a 0 como entrou o Vasco contra o Jorge Wilsterman em Sucre - Bolívia na noite de ontem (21).  

O torcedor estava em mar tranquilo, mas o time não poderia.

Tudo bem, reconheço que o Wilsterman joga com a altitude como reforço, mas o que aconteceu nos 16 primeiros minutos da partida não era nível elevado em relação ao mar, mas falta de atitude, mesmo. A atuação da equipe por completo foi apática e assustadora. O impacto dos dois gols logo de cara do time boliviano foi sentido pelos torcedores aqui no nível do mar, que ficaram sem respirar direito durante os mais de 70 minutos restantes com o jogo já em 3 a 0. 

Perdido, sem tomar conhecimento real dos efeitos que tinha a altitude na bola e no corpo e aturdido pelos gols levados, a atuação do time do Zé Ricardo foi de uma postura totalmente contrária à do jogo anterior. Houveram alguns minutos de lucidez e controle de bola no início do segundo tempo, mas as falhas defensivas continuaram a inquietar a mente do torcedor cruzmaltino. Todos os lances acontecendo em cima da ala do Pikachu; Paulão, Wagner, Rios (e cia.) protagonizando momentos aterrorizantes;  e as bolas aéreas de causar leves paradas respiratórias, como a que deu quando o Zenteno de cabeça achou o quarto gol praticamente desimpedido na área e o 4 a 0 deixou tudo igual. Além da arbitragem, que influenciou de maneira negativa a equipe de fora, para piorar a situação, Galhardo protagonizou o lance dente de leite da vez (está virando marca registrada já do time, todo jogo tem), e o Vasco ainda terminou com um jogador a menos. 

Em uma disputa que iria ser resolvidas nos pênaltis. 

Confesso que eu estava preparada para ver o jogo no aconchego da cama já meio que dormindo, e até mesmo a torcida do Jorge Wilsterman não acreditava em um resultado como aquele porque nem se deu o trabalho de ir ao estádio. Aí a caravela perde o rumo e tem uma pane daquelas, meu único pensamento era: duvido que esse time treinou pênaltis. 

Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br

Os jogadores, parecia que não, mas nosso goleiro parecia que sim.

Martín Silva sagrou-se o redentor da noite. Direcionou o mastro e salvou a tripulação do pior defendendo três pênaltis e, mesmo a equipe cruzmaltina perdendo dois, foi o fim do sufoco e carimbada oficialmente a participação na fase de grupos. Coisa de capitão, coisa de salvador. 

Uma partida para se esquecer, mas nem tanto. Que sirva de ponto de partida para analisar as avarias e partir para uma navegação mais preparada e bravia. 

E que possa sempre contar com as mãos de Martín no leme.


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