Saudações tricolores!
Após a derrota medonha na estreia do Paulistão para o bravo São Bento, por 2 a 0, as redes sociais viraram campo de um debate acalorado sobre a molecada da base, que formou a espinha dorsal de uma escalação pra lá de alternativa e, pela falta de ritmo de jogo, experiência, talento, afinidade com a pelota ou CULHÕES, deixaram o clube de Sorocaba bem à vontade para construir o placar sem sofrer sustos. E, a forma como perdemos, sim, preocupa.
Nos últimos 2-3 anos, a base do São Paulo tomou de assalto as competições de juniores e rapelou diversos títulos nessas categorias inferiores. Com isso, gerou-se muitas expectativas em torno dessa safra de garotos.
Como se sabe, uma coisa é a categoria de base, os garotos lá se digladiando entre si, em busca de um futuro no futebol. Outra é o profissional, a pressão, a torcida que invade CT, a cobrança, a corneta (SIM!), a responsabilidade.
Por isso eu tenho os dois pés bem atrás quando comemoram o bom desempenho - individual ou coletivo - nas categorias inferiores. Simplesmente porque não é garantia de absolutamente nada, nem de talento, nem de utilidade (seja no elenco, seja como fruto de venda). Taí o Sergio Mota que não nos deixa mentir.
E, no São Paulo, reza-se fervorosamente um mantra de que os garotos devem ser lançados com cautela, que as cobranças devem ser comedidas, que tem que dar tranquilidade a eles e tal e CALMA AÍ.
A alta expectativa criada por jornalistas, dirigentes, comissão técnica e torcida em torno dos novos "Raís" e "Kakás", muitas vezes espaldada em números e conquistas nos sub-qualquer coisa, joga contra a transição, embora seja uma pressão válida para que o moleque, desde logo, mostre e PROVE a que veio, haja vista que seu desempenho e aproveitamento no profissional são incertos.
Noves fora, o SPFC não está em condições PSICOLÓGICAS de rechear um elenco de jovens, especialmente, depois do terror que viveu ano passado. Apostar alto nesses garotos, acreditando que são os novos Menudos do Morumbi e bancá-los como peça de reposição imediata dos titulares, nesse contexto, é uma insanidade. A menos que eles deem em campo uma resposta positiva e imediata a todos esses senões.
Após um ano desgraçado como 2017, a última coisa que o torcedor quer ouvir logo no primeiro jogo do ano é uma nova saraivada de desculpas. Tome o discurso de que "ah, é o primeiro jogo da temporada", "ah, é escalação alternativa", "ah, a molecada", "ah, os titulares estão se preparando", "ah, o entrosamento".
E, a forma como o São Paulo perdeu: passivo, inerte, sem alma, sem atacar, sem pressionar o adversário, sem lutar por um resultado melhor, mais transpareceu falta de qualidade do time como um todo (não exclusivamente dos garotos, o que é ainda pior, e ESTOU OLHANDO PRA VOCÊ, BRUNO) do que a tal da falta de ritmo, entrosamento ou qualquer outra coisa.
Daí o beco sem saída. O elenco é fraco, os veteranos que jogaram (Sidão, Bruno, Maicosuel, REINALDO) não tem qualidade suficiente para liderar ou orientar a molecada e os garotos não mostraram aquele diferencial capaz de resolver a parada.
Na boa, se os moleques não correspondem num jogo de primeira fase de Paulistão, o que esperar quando tiverem que entrar num mata-mata de Copa do Brasil ou num clássico?
A impressão que dá é que essa derrota poderia ter sido evitada se alguém chegasse no vestiário, colocasse a mão no ombro desses caras, olhasse bem fundo nos olhos deles e falasse, com serenidade, SE PERDER, TÁ NA RUA. Duvido que pelo menos a postura não seria diferente. Essa passividade denota uma tranquilidade insultante.
Repito. O São Paulo não está mais em condições de promover TANTOS testes. Temos aí o Shaylon, o Brenner, o Militão, o Araruna, tá bom, chega, agora vamos buscar uma identidade, um traço de time que possa entregar QUALQUER COISA melhor do que a 13ª posição no Brasileirão.
Não é pela derrota. Longe disso. Mas por depositar todas as fichas em uma dúzia de jogadores que mal acabaram de tirar a CNH e não conseguiram fazer um jogo de igual pra igual contra o São Bento, simples assim.
Ou são ruins ou são azarados. E de ambos estamos bem, obrigado.
Sempre a cornetar,
Gabriel Casaqui
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