Quando eu falei de profissionalismo, era qualquer coisa menos o que se seguiu na sexta-feira (19) no episódio caótico que foi a parte final da eleição do Vasco da Gama.
Em um resumo da ópera, pela primeira vez em quase 120 anos de história do Club, o desejo das urnas não foi o mesmo dos conselheiros, e aí se descobriu o time do Beneméritos da Gama.
Sem querer tirar o mérito de ninguém, entendo que muitos ali tiveram atitudes louváveis para com o Club, este modelo de conselho deliberativo me soa arcaico e episódios como o da eleição só confirmam isso. E não é algo exclusivo do Vasco da Gama, muitos clubes brasileiros ainda seguem o regime e entre o torcedor e a direção, existe um grupo para o qual o lado da balança pesa muito mais. Na busca pelo comando, os envolvidos tomam atitudes que priorizam os interesses próprios, indicam cargos não pela competência mas por questões políticas ou pessoais e aí fica tudo em primeiro plano, menos os interesses da instituição.
E o torcedor fica ali, mero espectador e quase um inocente útil, pois quando os diretores precisam da massa, aí sim, lembram dele. E muitos vão, porque estes sim têm o amor incondicional. E é aí que cada vascaíno tem que ter claro na mente que a história do clube foi galgada com a torcida, com função social e política que por muito tempo seguiu nas bases da democracia e não nos jogos políticos de grupo A ou B.
Há quem diga que é o jogo e segue o baile.
E o baile seguiu pelo menos durante 90 minutos no segundo jogo pelo Campeonato Carioca, contra o Nova Iguaçu. A dez dias da estréia da Libertadores, o time ainda não mostrou o seu potencial, o que é totalmente compreensível frente às questões políticas, pagamentos atrasados e falta de ritmo e entrosamento.
Mas o Vasco fez o serviço, jogando melhor no primeiro tempo que no segundo, mas aproveitando as oportunidades para imprimir o 4 a 2, com gols de Evander, Rios, Pikachu e Andrey. O torcedor, ainda atribulado, viu boas atuações de Ricardo e Erazo, apesar do jogo aéreo ter ganhado espaço, sobretudo em dois lances de falha de marcação de Wellington e Galhardo, que estreou com a camisa cruzmaltina. Sentiu falta da velha defesa, mas viu também o esquema tático funcionar para Desábato, Henrique e (por que, não?) Pikachu.
E viu o Zé Ricardo colocar na mesa os anseios dele e da torcida. O técnico, que até agora tem apresentado uma postura louvável, deu o papo:
“Espero que seja apresentado um projeto de futebol para o Vasco da Gama. Porque uma instituição como o Vasco, grandiosa como o Vasco, com títulos e a importância, não só esportiva, mas também social, merece isso. (...) Se você falha em planejar, você planeja falhar.”
E é por isso que eu digo: ao Vasco, o profissionalismo e, mais do que nunca, a democracia, ou nada.
Luiza Lourenço
Luiza Lourenço
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