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Velha roupa tricolor

Saudações tricolores,

Caminhamos muito. Ali, adiante, há um banco. Nossas cansadas pernas nos forçam a uma parada. O alívio imediato logo dá lugar a uma incessante dor de cabeça, que vem acompanhada de umas pontadas no peito. Arfamos. Olhamos o horizonte cinzento. Esse corpo de 88 anos bem vividos começa a acusar os primeiros sintomas senis. Por vezes as palavras não correspondem à realidade, as contratações não dão efeito e as pernas e o coração são os únicos que recusam se entregar. 

Há alguns anos sentimos que o tempo veio nos cobrar por aquela soberba que ostentávamos. Enquanto esboçamos reações vencendo em Mirassol, em uma calorosa noite de quarta, somos lançados ao chão a pauladas dias depois, por um velho rival preto e branco.

Brigamos, mas não mais de igual para igual. Percebemos que nossos movimentos lutam pela sobrevivência, por cair com dignidade, não pelo prazer em duelar, tendo o total controle da peleja, independente do rumo que esta tome. O passado é uma roupa que não nos serve mais.

Assistimos a nossos filhos, também derrotados em seu aniversário, ser um espelho daquilo que já fomos num passado recente. Guerreiros. Independente do resultado, vitória ou derrota, campeão ou vice, deixar a alma e a satisfação de dever cumprido, de quem se entregou até o fim.

Agora, nos apegamos a pequenos triunfos que, se comprovam que ainda nos há brio, refletem a técnica apurada e a ferocidade perdidas ao longo desse tempo. Miseravelmente, lambemos as feridas das derrotas com uma resignação melancólica.

Mas muito embora quem quase morre ainda vive, quase vive já morreu, não é? Estamos vivos. Erguemos nosso esqueleto cansado e, repentinamente, surgem alguns rapazes a nos amparar. Imberbes dispostos a seguir lutando. Sua falta de experiência e ímpeto jovial ainda haverá de nos causar TAQUICARDIAS. No entanto, ao final de todas as contas, precisamos todos rejuvenescer. 

Sempre a cornetar,

Gabriel Casaqui







  

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