Saudações tricolores,
Lembro de um rapaz que apareceu por essas bandas em 2004. Um capiauzinho vindo de Minas, atrevido, ligeiro. Chegou para cuidar ali do lado direito, aquele terreno maldito que parecia depender do espírito esportivo de CAFU para vingar alguma coisa. Como quem não quer nada, o rapaz foi tomando conta do espaço e dali plantou seu nome na história do latifúndio tricolor.
Lembro de suas arrancadas, seus botes combativos, seu ímpeto nas divididas, seus cruzamentos perigosos, era de uma regularidade e de uma confiança que há muito não se via. Tinha uma estrela em clássico que dava gosto de ver.
Lembro daquele duelo épico contra o Rosário Central. Quem não lembra? Todos se lembram do milagre que Ceni fez ao final das cobranças de pênalti, dos dois gols de Grafite ou até da opção de Cuca em não descer pro vestiário no intervalo. Porém, poucos recordam que aquele homem, o batalhador do flanco direito, desperdiçou sua penalidade, justo a primeira e, sem querer, deu início ao eco daquela narrativa fantástica que o jogo se tornou.
Lembro que em 2005 esse cara tava iluminado demais da conta. Tudo que fazia dava certo. Era chute de esquerda no ângulo e caixa, era chute lá dos quinto em goleiro renomado e caixa, era cabeçada e caixa, era cruzamento e caixa, era dividida e bola nossa. Era título atrás de título. Três para ser exato. O tri passou pelos seus pés.
Lembro de cada vibração, com os punhos cerrados, nos convidando a participar do jogo.
Lembro do riso de menino e do sertanejo improvisado que cantarolava para quem lhe quisesse deixar um recado.
Lembro que foi aos galáticos, visitou o Império Romano.
Lembro que se perdeu. Conheceu o inferno. Em 2010 voltou outro, parecia ter feito pacto com o TINHOSO. Era uma borrão do que tinha sido. Seu encanto deu lugar a um sujeito irritadiço e em conflito consigo mesmo e com a bola.
Lembro que perambulou por aí, cantando em verso e prosa aqueles tempos em que as três cores lhe pintavam o peito e alimentando a saudade platônica daquilo que vivemos.
Lembro de Cicinho. Ali, na sala de imprensa, o semblante sereno, encarando a aposentadoria com a mesma franqueza que enfrentou sudacos e ingleses. Nosso menino voltou. Pode-se falar do SPFC, sem falar de Cicinho. Mas, para falar de tri, falar de 2005, é impossível não falar de Cicinho, um ídolo.
Sempre a cornetar,
Gabriel Casaqui
@gabcasaqui
Lembro de um rapaz que apareceu por essas bandas em 2004. Um capiauzinho vindo de Minas, atrevido, ligeiro. Chegou para cuidar ali do lado direito, aquele terreno maldito que parecia depender do espírito esportivo de CAFU para vingar alguma coisa. Como quem não quer nada, o rapaz foi tomando conta do espaço e dali plantou seu nome na história do latifúndio tricolor.
Lembro de suas arrancadas, seus botes combativos, seu ímpeto nas divididas, seus cruzamentos perigosos, era de uma regularidade e de uma confiança que há muito não se via. Tinha uma estrela em clássico que dava gosto de ver.
Lembro daquele duelo épico contra o Rosário Central. Quem não lembra? Todos se lembram do milagre que Ceni fez ao final das cobranças de pênalti, dos dois gols de Grafite ou até da opção de Cuca em não descer pro vestiário no intervalo. Porém, poucos recordam que aquele homem, o batalhador do flanco direito, desperdiçou sua penalidade, justo a primeira e, sem querer, deu início ao eco daquela narrativa fantástica que o jogo se tornou.
Lembro que em 2005 esse cara tava iluminado demais da conta. Tudo que fazia dava certo. Era chute de esquerda no ângulo e caixa, era chute lá dos quinto em goleiro renomado e caixa, era cabeçada e caixa, era cruzamento e caixa, era dividida e bola nossa. Era título atrás de título. Três para ser exato. O tri passou pelos seus pés.
Lembro de cada vibração, com os punhos cerrados, nos convidando a participar do jogo.
Lembro do riso de menino e do sertanejo improvisado que cantarolava para quem lhe quisesse deixar um recado.
Lembro que foi aos galáticos, visitou o Império Romano.
Lembro que se perdeu. Conheceu o inferno. Em 2010 voltou outro, parecia ter feito pacto com o TINHOSO. Era uma borrão do que tinha sido. Seu encanto deu lugar a um sujeito irritadiço e em conflito consigo mesmo e com a bola.
Lembro que perambulou por aí, cantando em verso e prosa aqueles tempos em que as três cores lhe pintavam o peito e alimentando a saudade platônica daquilo que vivemos.
Lembro de Cicinho. Ali, na sala de imprensa, o semblante sereno, encarando a aposentadoria com a mesma franqueza que enfrentou sudacos e ingleses. Nosso menino voltou. Pode-se falar do SPFC, sem falar de Cicinho. Mas, para falar de tri, falar de 2005, é impossível não falar de Cicinho, um ídolo.
Sempre a cornetar,
Gabriel Casaqui
@gabcasaqui
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